"Diproma"
Existem muitas vantagens com a não exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista no Brasil. O problema é que essas “vantagens” são para o benefício de alguns e não da maioria de nossa sociedade, o que deve ser uma premissa de qualquer lei vigente. A falta de obrigatoriedade da formação superior para o jornalista implica em primeiramente em uma significativa queda de qualidade naquilo que é produzido pelos profissionais da área. Pra defender essa posição, os ministros do Supremo Tribunal Federal comparam a profissão de jornalista a de cozinheiro, por exemplo. Afirmam que, como no caso do cozinheiro, o importante é o talento e não o “canudo”. Sendo assim, também não deveriam existir cursos de Gastronomia e de chefs de cozinha. Por que não dispensar, por exemplo, o curso de Medicina para os médicos que atendem os familiares dos ministros do STF? Ou, porque diploma de Direito para os profissionais da Justiça?
Outra “vantagem” do fim da obrigatoriedade do diploma é a maior facilidade que os poderes terão para calar a imprensa. Afinal, profissionais sem vínculo direto com a profissão que exercem terão, a princípio, maior volatilidade de opiniões e até mesmo de cargos e empregos. Fica muito mais fácil mudar de profissão quando não se fez uma faculdade ou curso para se preparar para ela.No momento da discussão da lei, foi usado como argumento o direito da liberdade de expressão, de forma que impedir qualquer pessoa de ser jornalista seria vetar esse direito. Esse argumento não condiz com a realidade atual, principalmente com o uso ilimitado da internet, seja por blogs, redes sociais ou até mesmo na seção de comentários dos grandes veículos de comunicação. Todo mundo pode ligar seu computador ou notebook e escrever pro mundo o que pensa, independente da profissão quer tenha, ou mesmo que não tenha qualquer profissão.
Com a inclusão e o aumento de pessoas não formadas em Jornalismo nas redações dos nossos jornais, teremos um visível enfraquecimento da união da classe de trabalhadores. E aí, saem ganhando os grandes grupos de comunicação de massa do Brasil, que poderão continuar remunerando mal e desrespeitando uma série de direitos dos jornalistas profissionais.
A sociedade só tem a perder em termos de informação e da qualidade da mesma com a desvalorização do profissional de imprensa. É por isso que esta lei deve ser combatida com seriedade e veemência, porque faz parte do princípio constitucional que as leis sejam impessoais, ou seja, devem representar a maioria da sociedade e não um pequeno grupo que, acostumado ao poder, usa de todo e qualquer recurso para dele não se afastar.
Gibson Rocha, estudante de jornalismo
@GibsonRocha
Isso me faz lembrar de como será tratada a informação: um bife recem cortado do quarto do boi. Será amaciado, temperado, retirada as gorduras e grelhado ou jogado na frigideira submerço em óleo com sal.
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