A quem interessa o fim da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista?
Por Geny Ferreira
O homem aprendeu a se comunicar muito antes da invenção da escrita. Suas impressões ficaram gravadas nas paredes das cavernas. Ler e escrever é algo que nós aprendemos por volta dos seis anos de idade, compreender e interpretar um texto aprende-se um pouco mais tarde. Mais isso é suficiente para se ser um jornalista? Segundo a advogada do Setersp (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo), Taís Gasparian, sim.
Para Taís, a exigência do diploma é inconstitucional já que a liberdade de expressão está assegurada a todos pela Constituição de 1988 e que a profissão de jornalista não depende de conhecimento técnico. Segundo a advogada saber ler e escrever é requisito suficiente para ser um bom jornalista.
O presidente do STF(Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes comparou a profissão de jornalista a de um cozinheiro. Não que seja desmerecedor ser comparado a um cozinheiro, mas existe uma grande diferença entre criar uma refeição que agrade ao nosso paladar e interpretar e reportar os fatos que podem mudar o rumo da história.
Em alguns países, com o EUA por exemplo, não há a exigência do diploma para o exercício da profissão, mas a maioria esmagadora dos profissionais contratados cursaram uma faculdade. Na Alemanha, onde há duas grandes organizações sindicais que representam os interesses dos jornalistas também não há exigência do diploma. Porém, segundo Hermann Meyn, autor do livro: Os meios de comunicação de massa na Alemanha, "Ambas as organizações sindicais alemãs estão tendo que constatar mais e mais que a imagem do jornalista por nascimento é uma ilusão".
Mas e no Brasil, o eterno país do jeitinho brasileiro? Será que haverá o mesmo tratamento? O mesmo respeito aos bons profissionais? O fim da exigência do diploma interessa a quem gosta e precisa manipular e sonegar informações. Profissionais sem qualificação são mais facilmente cooptados a trabalhar em prol de uns poucos bem-aventurados em detrimento de toda uma nação.
Com o fim da exigência do diploma perde não só os jornalistas que ficarão a mercê de empregadores inescrupulosos dispostos a contratar quem concorde com baixos salários, mas também perde a sociedade que contará com profissionais sem nenhum entendimento sobre ética profissional.
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