quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Reconhecimento dos Jornalistas. Não é só uma luta, é um direito nosso!

Sabemos que qualquer pessoa pode expor seu conhecimento sobre a área em que é especializada. Por isso, existem tantos artigos, na mídia, assinados por médicos, advogados, engenheiros, sociólogos, historiadores. Diante disso, é de se perguntar como e por que confundir a restrição à liberdade de expressão e a censura com o direito de os jornalistas terem uma regulamentação que apenas exige o mínimo de qualificação? Por que favorecer o poder sem medidas dos proprietários das empresas de comunicação que serão os maiores beneficiados da não-exigência do diploma? Vinculando assim uma atividade ao interesse público e plural e fazendo do jornalista, uma pessoa que dedica sua vida a tal tarefa – e não como um bico. 

Por que tanta gente se opõe ao diploma? A resposta está em nós mesmos. Porque é aqui, nos bancos universitários, redes sociais que acima e além de ideologias, doutrinas e preferências políticas, filosóficas e outras, nós adquirimos um valor maior. Somos unidos pelo denominador comum da valorização da profissão, pela dignidade pautada pelo nosso objetivo maior, de transmitir à sociedade tudo o que se passa nela de bom, de mau, de certo, de errado, de ódio e de amor. De tragédia e de comédia. Porque será apenas sabendo tudo o que se passa nela que a sociedade poderá aprimorar-se. Formar-se. Pertenço à escola da humildade: não acho que sejamos “formadores de opinião”. Somos informadores, porque se conhecendo é que a sociedade poderá formar-se, estimulada por mil fatores.

Mas existem outros motivos porque muitos se insurgem contra o diploma. Porque será através dos cursos de Comunicação, oito semestres vivendo, estudando, debatendo, aprendendo, duvidando e questionando juntos é que nós podemos se unir em defesa da informação. Nós somos a “Jovem guarda” daquele tipo de jornalismo quase arcaico, onde a notícia era um esconderijo de interesses ilícitos para a conquista do poder.
Era mais fácil para os donos destas empresas de comunicação, que se achavam donos da notícia, escolher a dedo quem trabalharia em suas redações, desde que comprometidos e postos a serviço de seus interesses. Hoje existe uma vontade enorme de cultuar de relatar a verdade, de informar. Isso pode ser chamado de ética na comunicação social. Além de melhores salários, melhores condições de trabalho, mais dignidade. Chegamos às redações não por sermos amigos ou parentes dos donos de jornal, mas por vontade de mostrar nosso trabalho.
Não quero acordar com a sensação de que minha profissão esta correndo riscos e ser a favor de tal ministro que explica a retirada do diploma em nome da liberdade de imprensa e fim dos tempos da ditadura. Quero fazer valer meus quatro anos de faculdade e não ser comparada com alguém que fez um curso de 20 dias e se acha jornalista. Essa é uma batalha nossa, estudantes e profissionais da área que não queremos que o futuro das mídias sociais seja representado por alguém que não sabe nem a diferença de notícia e reportagem. Quero que meus filhos e netos assistam a um programa televisivo e confie no que o âncora acabou de falar. Não quero dúvidas, quero o reconhecimento de uma vida inteira de constante aprendizado e profissionalização.

Por Samantha Rúbya

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