REIVINDICAÇÃO MAIS DO QUE JUSTA
Por Simião Paulino
Estudantes de jornalismo de um país como o Brasil, estão se perguntando: como se pode concluir um curso de graduação, ser um bacharel em jornalismo e no final ser comparado ao formando do curso de cozinheiro ou de corte e costura? Também profissões dignas, mas convenhamos; o presidente do Supremo Tribunal Federal fez uma declaração vergonhosa para justificar a decisão do Supremo sobre a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão. A classe de jornalistas, que de uma certa forma se sentiram enfraquecidos com o nível de rebaixamento posto pelo STF na pessoa do presidente Gilmar Mendes, até então, tinha como segurança o decreto lei 972/1969, que estabelece regras para o exercício da profissão e uma delas é a obrigatoriedade do diploma, contudo a Sertesp ( Sindicato das empresas de rádio e televisão ), junto com o Ministério Público Federal, entram com um recurso no STF, com firme propósito de derrubar esse decreto, alegando que uma junta militar, não poderia legislar um decreto lei e que só teria acontecido por conta do período da ditadura.
Ora, o Sertesp tem seus interesses, todos sabem. Os empresários de comunicação poderão ter prejuízos em detrimento da obrigatoriedade do diploma, porque os profissionais formados em uma universidade, poderão exigir salários razoavelmente altos, contrariando os não portadores de diplomas, que exercem funções jornalísticas há algum tempo nas empresas e não iriam aceitar jovens profissionais ganhando salários compatíveis com os deles. Uma representante do Sindicato das empresas de comunicação, Taís Gaspariam, defendendo a decisão do STF, alega que o decreto lei dos militares, estavam restringindo a liberdade de expressão, estabelecendo preconceitos contra profissionais da área jornalística. Então como podemos definir uma decisão tomada por um Tribunal Superior, que fez comparações bizarras ao formando de jornalismo por outros de artes culinárias? E ainda afirma em seu relatório que a ética e o desvio de conduta não se aprende numa universidade. Pode-se até compreender em parte essas alegações mas, a ética, essa sim, o jornalista passa o curso inteiro aprendendo e ouvindo de seus mestres, o valor de uma matéria que é feita com os requisitos básicos da moral e dos bons costumes.
O Advogado da Fenarj João Roberto Fontes, preocupado com a decisão do Supremo, enfatizou sobre a proletarização ainda maior da profissão de jornalismo, uma vez que, qualquer um poderá exercer as atividades jornalísticas e ser contratado ao “bel-prazer” do sindicato patronal.O internauta ao navegar nas mídias, encontram com facilidades, conteúdos provenientes de amadores que não têm o mínimo de conhecimentos técnicos e que só faz aumentar ainda mais o sentimento de revolta por aqueles profissionais de capacidade multidisciplinar formados nas universidades brasileiras.“Se a imprensa é conhecida como o 4º poder, e se não é necessário um diploma para exercer um poder dessa envergadura, pra que mais será preciso?”. Esse questionamento feito pelo Dr. João Roberto, coloca em check-mat todos os argumentos e falácias de um grupo preocupado apenas em atender seus interesses, colocando o jornalismo do Brasil a um nível de rebaixamento. Os estudantes de jornalismo, de certa forma se acham frustrados, ao imaginarem que, após passarem anos numa faculdade, quando terminarem, poderão se confrontar com patrões sem escrúpulos e sem respeito, envolvendo classes de trabalhadores comuns e um conglomerado de jornalistas, num mesmo ambiente de nível profissional.
Recentemente a imprensa mundial noticiou a morte de um profissional da Rede Bandeirantes de Televisão, o repórter cinematográfico Gelson Domingos, 46, que foi atingido por um tiro de fuzil durante uma ação da PM para prender traficantes numa favela do Rio de Janeiro. Será que esses patrões da imprensa brasileira teriam a coragem de mandar um profissional não diplomado para esse tipo de cobertura? O profissional que morreu era formado e levava no sangue o jornalismo investigativo, com coragem e bravura cumpriu sua missão porque fazia o que gostava apesar dos riscos que enfrentava. O Brasil espera que os juristas hajam com mais sensatez e não soneguem a sociedade um jornalismo feito com competência, técnica, alto sentido cultural e ética acima de tudo. Salientamos que, em 1918 no 1º Congresso Brasileiro de Jornalismo, á Associação Brasileira de Imprensa ( ABI), aprovou em uma de suas teses principais, a necessidade dos jornalistas terem formação de nível universitária. Portanto, senhores juristas e sindicatos patronais, é uma questão de moral a aprovação imediata do diploma na atividade jornalística.
Simião Paulino/ Jornalista em formação
simipaulino@yahoo.com.br
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