Aos futuros jornalistas ou jornalistas do futuro
Por Maria Angélica de Souza
Por Maria Angélica de Souza
Quando em junho de 2009, o então presidente do Superior Tribunal de Justiça – STJ, Gilmar Mendes aprovou a não obrigatoriedade do Diploma para o exercício da profissão de jornalista, muitos estudantes sentiram-se desmotivados e, até mesmo, desistiram do curso, com medo de sua formação não ter valor legal. Esta semana, com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição – PEC 33/09, de autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), uma nova esperança se fez presente entre os futuros jornalistas.
Sem dúvidas, a aprovação dessa PEC, embora possa ser considerada inconstitucional para aqueles que votaram contra com o discurso de que, tal obrigatoriedade, fere ao direito da liberdade de expressão, a aprovação dela acendeu uma chama que estava sendo esquecida por alguns profissionais e futuros profissionais da área. Este assunto, bastante debatido em meados de 2009, terminou ficando esquecido. Salvo os sindicatos dos jornalistas, que sempre lutaram à favor do diploma, poucas pessoas se mobilizaram para organizar debates ou passeatas que chamassem a atenção das autoridades. A obrigatoriedade do diploma de jornalismo ficou esquecida até mesmo pelos principais interessados no assunto: Os jornalistas.
A declaração da jornalista da Rede Globo Zileide Silva durante o XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2011, chocou alguns alunos. Na ocasião, Zileide se posicionou contra a obrigatoriedade do diploma, embora não os tenha feito refletir a quem interessa que o diploma continue não sendo obrigatório para o exercício da profissão. Por trás da decisão do ministro Gilmar Mendes estavam as vozes das centenas de veículos, diga-se empregadores, que também são contra a obrigatoriedade do diploma. O motivo é simples. Ao contratar profissionais não diplomados, os grandes veículos de comunicação podem estipular valores e baixos salários aos chamados “jornalistas sem diploma”, sem nenhum controle dos sindicatos sobre os direitos trabalhistas.
Com a aprovação da PEC 33/09, a volta da exigência do diploma de jornalismo está cada vez mais perto, mas chama a atenção para outros questionamentos: Até que ponto nossos futuros jornalistas diplomados estão qualificados para o exercício da profissão? Só o diploma na mão é capaz de garantir um jornalismo de qualidade? De certo, a decisão do senado à favor do diploma contribui para que sejam inseridos no mercado de trabalho pessoas com o mínimo de qualificação necessária, ou seja, a graduação em jornalismo, mas para se ter um jornalismo de qualidade é necessário muito mais. É preciso uma conscientização dos futuros jornalistas que fazer jornalismo requer ética, seriedade e responsabilidade e esses itens nem sempre se aprende na faculdade.
É preciso estar atento as novidades buscando sempre uma atualização da vida profissional. É preciso ter a consciência de que quem vai transformá-lo em um profissional não será um diploma, mas a capacidade de ser um jornalista sério, integro e ético que se adequa às novas possibilidades e necessidade do mercado de trabalho. Que possamos ser JORNALISTAS em caixa alta, pois afirmar que somos jornalistas “com diploma” nos faz admitir a existência desses pseudo-jornalistas, e jornalista sem diploma não existe, e que a obrigatoriedade do diploma seja apenas uma forma de garantir que exerçamos a profissão com todos os direitos que merecemos.

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