O que legitima a profissão de jornalista? Será o status que a profissão obteve ao longo da história? Será a capacidade e o compromisso social de levar ao público as notícias todo santo dia? Sim, tudo isso, mas ainda não é tudo. Qual o retorno que a sociedade dá a esse profissional, que passa anos numa universidade aprendendo a lidar com as adversidades dos meios e com a complexa relação política e econômica por trás dos holofotes? Reconhecimento é o mínimo que se pode pedir e o diploma é apenas uma pequena representação disso.
Desde que o Supremo Tribunal Federal anunciou a não obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, muito tem sido discutido, inclusive sobre a relevância de um curso de graduação em jornalismo. Ou seja, qual a importância em formar profissionais numa universidade se o mercado não se importa, ou não se importaria, com o diploma? E o que diferencia um jornalista diplomado de um que não concluiu ou sequer ingressou numa universidade? Saber a resposta é muito simples: a qualidade e a competência. Escrever tornou-se uma atividade comum, sobretudo com o advento da tecnologia nos meios de comunicação, porém, escrever, apurar, editar, analisar, render são verbos que nem todos conjugam, e se o fazem, não o fazem com excelência.
Por outro lado, é ilusão achar que uma universidade traz qualificações extraordinárias para alguém que pretende trabalhar como jornalista, afinal, de nada importaria ter um diploma e não saber fazer o seu trabalho. Daí a urgência e a necessidade dos profissionais de jornalismo em aprimorarem a sua qualificação, a excelência na profissão é muito mais importante do que qualquer lei ou imposição ou ainda qualquer decisão mal pensada dos governantes. Achar que um profissional não precisa ter um diploma só aconteceria num país como o nosso onde é possível assumir a presidência sem nunca ter se formado numa graduação de nível superior. Este talvez seja o maior exemplo em que competência não tem nada a ver com diploma. Porém, essa não é a questão.
Importante é reconhecer que as empresas contratam sempre quem elas querem contratar, e isso não será diferente, com ou sem diploma de jornalismo. A obrigatoriedade do diploma é apenas uma maneira de legitimar a profissão, que é importante, mas não suficiente. Cabe a nós, profissionais de jornalismo, a tarefa de buscar a nossa legitimação, trabalhando com ética, respeito e competência.
Anderson Paes Barretto

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