segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Prato do dia: Jornalismo sem diploma

Por Ney Anderson

         

          Segundo o relator do Supremo Tribunal Federal, Ministro Gilmar Mendes, que comparou a profissão de jornalista ao de chefe de cozinha, afirmando que tal curso era interessante para aprimorar o caráter técnico, mas não era requisito básico para poder cozinhar e que dessa maneira tornou em 2009 o diploma de jornalismo não mais obrigatório no Brasil. Fica claro que o ministro, andou misturando um pouco os ovos e transformando tudo em uma só omelete. Se não, vejamos: Comparar o preparo de um bolo de trigo ou até mesmo um de noiva, com uma matéria publicada sem uma qualificação técnica, que possa referendar o que está escrito, é algo que só deve passar na cabeça do ministro Gilmar.
         Será mesmo que o curso de jornalismo não é importante e não deve ser obrigatório? Pensando na não obrigatoriedade do diploma, fico lembrando coisas recentes que aconteceram na imprensa do Brasil, como por exemplo, o triste caso da Escola Base, e olha que foram jornalistas formados que fizeram todo o estardalhaço. Como seria a imprensa com jornalistas sem formação teórica? Um poço de vaidades, com meninas bonitinhas ou rapazes metidos a espertos que querem aparecer na TV, ou conhecer fulano e sicrano para fortalecer o status quo? Só para “roubar” a citação de um dos maiores jornalistas do mundo, Tom Wolfe. É triste, muito triste.
          Fica algo muito claro na decisão dos ministros do STF que por 8 votos a 1, tentaram pôr fim ao diploma de jornalismo, pois essa é uma maneira de calar toda uma mídia que está lutando para mostrar o que de mais nojento e inescrupuloso acontece nos corredores de Brasília. Sem o diploma fica muito mais fácil colocar pessoas na imprensa, por interesse deles, dos poderosos, para fazerem o barco velejar em sentido contrário, e tirar do povo a informação correta e verdadeira que ele tanto precisa.
          Na última quarta-feira, 30 de novembro, o Senado aprovou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que defende a obrigatoriedade do diploma de jornalismo, foram 65 votos a favor sete contrários. Isso prova que a batalha não está perdida, pois alguns representantes de sociedade estão entendendo que não se pode tentar calar a imprensa dessa forma. É preciso lutar com que temos de mais poderoso: A caneta e o papel. O ministro Gilmar Mendes pode ficar tranquilo com o seu chefe de cozinha, pois não será ele o responsável por fortes dores na sua barriga.

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