Onde está o meu diploma?
Ao longo do ano de 2011, o mundo pode ver a queda de diversos regimes autocráticos na região árabe. Em todos eles, a liberdade de imprensa estava nitidamente comprometida. E esse é um dos grandes sinais de quando a democracia está completamente abalada. Não existe sociedade democrática sem liberdade de imprensa.
Um jornalista informa para poder formar opiniões. Através da informação apurada, o indivíduo pode analisar os fatos e tirar suas próprias conclusões. O exercício do jornalismo é fundamental para a sociedade, não à toa é conhecido como o quarto poder. Quanto mais o povo está bem informado, menos alienado ele fica. Com um papel tão grande na sociedade, o mínimo a se esperar de um jornalista é que as informações repassadas sejam apuradas com ética, que o texto seja ao máximo imparcial. Um jornalista deve ser dotado de técnica, conhecimento, conteúdo teórico e prático, deve saber os impactos de um texto na sociedade e avaliar as suas consequências. Nada mais coerente que se exija a formação adequada desse profissional para que ele possa informar com responsabilidade e ética.
Em 1969, a legislação que regulamenta a profissão de jornalista no Brasil especificou a inclusão da necessidade do diploma para poder exercer a função. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal acabou com essa exigência. Um dos argumentos utilizados foi o de que essa decisão foi tomada em período ditatorial. O que vemos mundo a fora é que nos países em que o diploma não é obrigatório, os meios de comunicação dificilmente absorvem um jornalista sem a graduação. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 400 faculdades oferecem o curso de jornalismo apesar do diploma não ser obrigatório. Exigências do mercado.
Fica claro que primeiro existe a profissão, depois surgem às graduações. Com o jornalismo também foi dessa maneira. Grandes nomes da literatura brasileira- como José de Alencar, Machado de Assis- eram, além de escritores, jornalistas. Mas esse era o início do jornalismo no Brasil, era algo que estava crescendo e se aperfeiçoando. Porém hoje existe a graduação em todas as regiões do país, onde as técnicas jornalísticas são repassadas. Não se pode fazer jornalismo de qualquer maneira e tamanho é o retrocesso em ter a exigência do diploma revogada.
No Brasil, técnico em prótese dentária, guardador e lavador de veículos, leiloeiro rural, tem profissão regulamentada, mas após a decisão do STF o jornalista deu um passo para trás. As autoridades existem para defender o povo e não para atender as vontades de uma minoria prioritária. É interessante ressaltar quem está por trás dessa decisão: os grandes poderosos da mídia. Não existe jornalista por nascimento que não precisa absorver as técnicas e os conhecimentos teóricos. Quem perde claramente, além dos estudantes de jornalismo, jornalistas, das próprias empresas de comunicação, é a sociedade.
O absurdo é que em um país onde médico sem diploma não seja médico, professor sem diploma não seja professor, um jornalista sem diploma seja um jornalista. Não que se deva retroceder e deseje que outras profissões não exijam o diploma. Devemos avançar. Ordem e progresso. A sociedade quer qualidade nos serviços jornalísticos e o diploma é a primeira garantia.
@gessica_moura

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